O consumismo e a busca pela felicidade

O consumismo e a busca pela felicidade

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Reportagem Camila Heloíse

Se alguém te perguntasse agora: o que é felicidade? É estar com aqueles que você ama, compartilhar bons momentos com os amigos ou status social? O que você responderia? É claro que uma coisa não anula a outra, mas, o que se passa em primeiro lugar em sua cabeça quando você pensa no que te deixa mais feliz?

Nós vivemos em busca da felicidade, mas não sabemos de fato responder o que ela significa ou o que melhor a representa para nós nos dias de hoje, e sem saber seu real significado, nos boicotamos de muitas formas, garantindo felicidade apenas em doses homeopáticas e passageiras. Uma destas formas de boicote é o consumismo.

O consumismo – comportamento de quem adquire coisas supérfluas de forma desenfreada e sem necessidade, apenas para suprir alguma falta interior ou pelo simples desejo de possuir algo – deprecia cada vez mais os verdadeiros valores do ser humano e vem deteriorando aos poucos os motivos mais genuínos de felicidade.

A ausência de sentido na vida faz com que as pessoas acabem invertendo tais valores, onde você se transforma naquilo que você consome e assume um papel na sociedade em que aquilo que você tem é mais importante do que aquilo que você é. Esquecemos assim a importância de se ser, substituindo-a por parecer.

Gastar, gastar e gastar!

Comprar compulsivamente roupas, calçados, perfumes, carros etc, traz a sensação de felicidade e prazer instantâneos, sendo assim, nós nos sentimos completos e realizados e esbanjamos para o resto do mundo aquilo que imaginamos ser: felizes.

Sem perceber, viramos escravos do materialismo e transformamos o amor e as demonstrações de afeto em pacotes bem elaborados de presentes em dias de festa, precisando consumir cada vez mais. Nós presenteamos para provar que nos importamos com o outro e consumimos desenfreadamente para nos sentirmos melhores. Mas, quanto tempo dura esta sensação de felicidade?

Ressaltamos aqui, leitores, que não estamos falando do consumo normal, e que comprar algo que você deseja é um direito seu. O problema é quando esta prática passa a prejudicá-lo financeiramente e psicologicamente, eis aí o consumismo.

A estudante de Comunicação Social, Carolina Sciamana, é consumista assumida e confessa que já realizou compras supérfluas somente por estar se sentindo triste, como autocompensação, o que trouxe a ela apenas uma felicidade momentânea.  “A sensação é ótima, mas é tão rápida quanto comer um chocolate, o prazer termina em questão de minutos e você precisará de outro chocolate”, declara.

O psicólogo João Eduardo Caiffa, explica que realizar compras para esquecer um problema é um comportamento normal, porém, quando não tentamos de fato encarar o acontecimento que nos aflige a tendência é continuar o ciclo, e é neste momento que o que era normal se torna patológico. “No caso de um consumista, com a busca de ter a tal felicidade, ignoramos os problemas, começamos a gerar novos problemas, endividamos a nós mesmos e até aqueles que estão em nossa volta, culminando até mesmo em pequenos delitos como roubo, desenvolvendo a Oniomania, um transtorno voltado para tais compras desenfreadas”, explica.

De acordo com o psicólogo, a sensação de prazer, neste caso, passa depressa, pois quando a pessoa termina a “compra” ela volta à realidade com seus problemas e questões a serem resolvidas. E como a tendência é a pessoa não enfrentar os problemas do dia a dia, estes se mantêm, novos aparecem e o desejo por esquecer aumenta. Inicia-se assim a compulsão, e quanto mais a pessoa compra, mais ela vai desejar comprar e menos aquela situação irá satisfazê-la.

Normalmente, o consumista não percebe que possui este Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), este comportamento é notado por familiares ou amigos mais próximos. A boa notícia é que existem tratamentos que ajudam o consumista a sair dessa situação e voltar a ter uma vida normal, tudo depende do grau de prejuízo em que a pessoa se encontra. Em níveis mais brandos, o acompanhamento psicológico é indicado para mudança de comportamento e conscientização do problema que está enfrentando, e a terapia é indicada para trabalhar os problemas que possam ter gerado tal comportamento. O mais indicado é a terapia cognitiva comportamental.

“Em todos os casos, o ideal é tirar a pessoa da situação de consumo, trabalhar possíveis abstinências e a mudança de comportamento. O tratamento muitas vezes lembra os feitos com dependentes químicos, uma vez que o efeito no cérebro é muito semelhante”, diz.

Moderar para ser mais feliz

Com as festas de final de ano as compras aumentam consideravelmente, e não há nada de errado em entrar naquela loja dos sonhos e comprar aquele vestido maravilhoso, nem em adquirir aquele tênis ou o videogame que você sempre quis. Afinal, trabalhamos incansavelmente para ter condições de gerar prazer para nós e àqueles que fazem parte do nosso convívio, basta fazer isso com moderação.

Uma boa dica para não se endividar ou gastar muito: faça uma lista com o nome das pessoas que deseja presentear e realize uma pesquisa no mercado para encontrar os melhores preços, isso vale também para quem quer presentear a si mesmo.

O mais importante é nos lembrarmos de consumir principalmente coisas que possuem um valor ainda maior e duradouro, como a amizade, o companheirismo, o respeito e o amor.

Diferença entre consumo e consumismo

O consumo está relacionado a compras que realizamos por necessidade, como comprar comida, remédios e roupas, por exemplo. Já o consumismo é quando gastamos com produtos que não possuem uma utilidade imediata em nossa vida e que não fariam falta se não adquiríssemos.

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