Bianca Comparato e o desafio de viver “Irmã Dulce”

Bianca Comparato e o desafio de viver “Irmã Dulce”

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Texto Camila Heloíse

Ela estreou na TV em 2004 quando participou da série “Carga Pesada”, exibida pelo canal Rede Globo, e desde então, o talento e a dedicação da atriz foi sendo descoberto e ela ganhou seu espaço na telinha. Nascida no Rio de Janeiro e completando 29 anos neste mês, Bianca vive nos cinemas sua primeira protagonista de um longa-metragem. O drama brasileiro “Irmã Dulce”, dirigido por Vicente Amorim, que conta a história da religiosa católica brasileira e uma das mais importantes ativistas humanitárias do século XX, tem Bianca representando Irmã Dulce em sua fase jovem, que depois é representada pela atriz Regina Braga na fase adulta.

Como você recebeu o convite para viver “Irmã Dulce”? Foi através de testes até que o Vicente Amorim me convidou para fazer o filme.  Me senti lisonjeada primeiramente e depois desafiada. Quando soube que faria o papel, comecei a estudar muito a vida da irmã Dulce e fui admirando cada vez mais a mulher que ela foi, e senti que era uma história que o mundo estava precisando ouvir.

Você já conhecia a história de Dulce? O que foi mais impressionante para você na história dela? Confesso que não conhecia. Depois que li o roteiro, entendi a magnitude e a importância da Irmã Dulce para nossa História. O que mais me impressiona é a sua entrega total ao outro. Ela passou a vida se dedicando aos outros. O fato de ela ter transformado um galinheiro num dos maiores hospitais da Bahia, é impressionante.

E quanto tempo você ficou na Bahia? Como foi o seu preparo para as gravações? Fiquei quase três meses na Bahia. A pesquisa e a preparação foram essenciais para esse trabalho, tive que me transformar para viver a Dulce, foi um trabalho de construção.  Comecei a pesquisa ainda no final do ano passado, no Rio, em novembro, junto com meu preparador pessoal Sergio Penna e minha mãe Leila Mendes, fonoaudióloga.  Em março, me mudei pra Salvador e comecei a preparação que durou um mês. Além do trabalho com o Vicente e com a Maria Silvia (preparadora), o que mais me ajudou foi passar alguns dias no convento do Desterro. Fazia todas as atividades junto com as irmãs e eu e Regina dormimos uma noite no claustro. A verdade é que nunca parei de me preparar. Mesmo durante as filmagens, continuava a trabalhar com a preparadora e como estava vivendo em Salvador, todo dia alguém na rua ou algum amigo, me contava uma história com a Irmã Dulce. Passava muito tempo no memorial da Irmã Dulce e fui num dia em que estava fechado e ficava vendo as imagens e ouvindo música. Lá no memorial tive todo apoio da equipe, do historiador, Osvaldo, além de conversar com as freiras da congregação da Irmã Dulce e pessoas que trabalham no hospital e que conheceram a Dulce. Um momento crucial pra mim foi conhecer a Maria Rita, sobrinha da Irmã Dulce, de certa maneira ela é muito parecida com a Dulce, ver como ela cuida do hospital, com pulso firme e carinhoso ao mesmo tempo, foi emocionante e tocante.

Qual a maior responsabilidade em interpretar uma personagem na fase jovem e que terá outra atriz para dar continuidade e interpretá-la na fase adulta? Meu maior desafio foi humanizá-la. Ela era freira e gente, santa e mulher. Ao mesmo tempo em que muito diferente de nós, Irmã Dulce é humana, igual a nós em alguns aspectos. A minha parte do roteiro, é a construção da Dulce, como ela se tornou a grande Irmã Dulce que todos se lembram. Ela foi marcada pela morte de sua mãe, isso trouxe uma solidão e uma força imensa pra ela. Sempre admirei a Regina, acho ela uma das grandes atrizes desse país. Me sinto honrada de dividir o papel com ela. Eu e Regina trabalhamos muito juntas para fazer uma só Dulce. Criamos em conjunto o gestual e voz da Dulce. Vejo tudo como uma continuação. Nós tentamos nos complementar para que a passagem de tempo fique o mais natural possível. Nos sentimos como a irmã Dulce e sua irmã, Dulcinha: dois corpos de uma só alma.

Você deu vida a uma mulher com uma trajetória emocionante e única. Além da própria Dulce, onde mais buscou inspirações para a personagem? Em mulheres fortes, como Joana D’arc, Santa Clara e Santa Teresa. Salvador e a Bahia serviram de inspiração também. Para mim, Irmã Dulce é a grande Mãe da Bahia, quiçá do Brasil e vejo a Bahia como estado-mãe do nosso país. Então morar em Salvador me inspirou diretamente.

Teve algum momento marcante durante as gravações? No dia que gravamos a cena da chegada da Dulce na congregação com seu exército de inválidos. Quando a cena acabou a equipe e também a Maria Rita que visitava o set, ficaram emocionados. Foi lindo demais.

Este não é o seu primeiro longa-metragem. Mas, o que ele, especificamente, te acrescentou como pessoa e como atriz? Nossa, me acrescentou muito. Não é meu primeiro longa, mas é minha primeira protagonista de longa-metragem. Como pessoa eu cresci muito ao estudar a vida da Dulce. Hoje sinto mais compaixão pelo outros e tenho mais paciência na vida. Como atriz eu ganhei experiência, tive total liberdade de criação. Ganhei também parceiros, considero a Iafa e o Vicente como grandes parceiros. A vontade de fazer mais e mais filmes só cresce.

Quais são seus novos projetos para 2015? Estou produzindo um filme sobre a vida e obra da poeta Ana Cristina Cesar. O projeto ainda está  em fase de desenvolvimento e captação. A produção vai ser da Iafa Britz.  Faço parte do elenco de “Sete Vidas” da Licia Manzo, a nova novela das seis da Globo que estreia em março de 2015.  Estou desenvolvendo também uma série para o GNT em parceria com o Vicente Amorim com produção da Renata Fraga.

 Foto: divulgação

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