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A última morada: Aos 122 anos, Cemitério guarda história de Araras

Do famoso médico Narciso Gomes à baronesa que era escrava do marido… Muitas são as personalidades e histórias e muitos são os custos para morrer

Reportagem: Renata Pinarelli

O Cemitério Municipal de Araras está completando 122 anos de existência, guardando grande parte da história das famílias ararenses. Afinal, o cemitério cresceu praticamente junto com a cidade, que comemora seus 150 anos em agosto.

Conforme registros históricos, o primeiro sepultamento ocorreu em 10 de março de 1890. Francisca de Tal (na época não era registrado o sobrenome), aos 12 anos, trabalhadora da lavoura, faleceu de ataque de solitária. Na época, o custo do enterro foi de 5 mil réis.

A inauguração oficial foi em 1944, na época do prefeito Ignácio Zurita Júnior. Dizem que a fachada do cemitério nem estava pronta quando o então prefeito faleceu e foi enterrado no local.

Até hoje, segundo a administração do Cemitério Municipal, mais de 70 mil pessoas estão enterradas lá. Entretanto, não seria possível precisar tal número, pois antigamente, os registros não eram exatos.

Apesar disso, há 12 anos, o cemitério registrava 50.884 sepultamentos, conforme levantamento realizado em 29 de julho de 2000 junto à administração do local da época.

Mas o que espanta são os números da década passada se comparados aos dias atuais. No ano 2000 o Cemitério Municipal registrava em média 60 enterros por mês, número que não cresceu muito após 12 anos. Hoje a média de sepultamentos a cada mês é pouco mais de 65. E os registros comprovam: em 2011 foram realizados 792 sepultamentos ali.
Com área de 72 mil m², não há de faltar espaço para novas covas e jazigos, visto que a Prefeitura Municipal já comprou áreas e casas vizinhas, visando a ampliação do cemitério. Com isso, ao espaço atual, serão somados mais 3.600 m² de área.

Ancestrais e homenagem
O Cemitério Municipal guarda muito da história de Araras, já que praticamente cresceu com a cidade. Assim como acontece mundo afora, pessoas incríveis e personalidades que marcaram seus nomes na história, (mas que como todos nós são mortais), tiveram seu último dia, e seu corpo, aqui fica sepultado.

Os túmulos foram criados antes do nascimento de Jesus, pela civilização do Egito Antigo. Eles acreditavam que sepultando os corpos em túmulos, os faraós seriam imortalizados, garantindo a vida após a morte. Outras civilizações mantiveram a prática do sepultamento como cultura religiosa, mas apenas na Idade Média foi construído o primeiro cemitério. Os corpos eram enterrados nos adros das igrejas, até que houve uma superlotação. Foi aí que nasceu a ideia de criar os primeiros cemitérios, como conhecemos hoje em dia.

Seguidores de diversas religiões, como a Católica, Protestante, Judaica, Islâmica e Maçônica, sepultam corpos em túmulos, como uma homenagem póstuma, para que a pessoa seja lembrada eternamente. As pessoas famosas costumam ter seus túmulos como locais de peregrinação para fãs e curiosos, sendo em alguns casos, a forma de estar mais próximo do seu ídolo.

Em Araras não é diferente. Dr. Narciso Gomes, Lourenço Dias, os Barões de Araras e Arary, Cesário Coimbra, Coronel Justiniano Whitaker de Oliveira, Irmã Diva Patarra, Padre Atílio, Padre Lanza e outros que construíram nossa história estão sepultados no Cemitério Municipal, assim como a Baronesa de Grão-Mogol Emília Martins Pereira. Conta a lenda que a Baronesa, que morava na Fazenda Mata Negra, era trancada no sótão pelo marido, onde acabou morrendo, louca.

Até hoje e por muitos anos, o jazigo do Dr. Narciso Gomes é o mais visitado, recebendo flores quase que diariamente dos seus devotos. Outros túmulos, além de flores, recebem chupetas, mamadeiras e outras coisas, acreditando que poderão alcançar milagres dessas crianças em troca de brinquedos.
Analisando friamente o local, é perceptível a diferença social de quem está sepultado ali. Mausoléus suntuosos, de arquitetura clássica, esculpidos em belos e caros mármores se misturam aos simples sepulcros, às vezes até mesmo sem ostentar o nome de quem ali foi enterrado. Mas quem se incomoda com isso na sua última morada?

Sepultura, enterro… Como funciona?
Para ser enterrado no Cemitério Municipal, o cidadão pode ter a concessão da sepultura perpétua, como é conhecida a área onde toda família pode ser enterrada, e a cova aberta a cada três anos. O carneiro (sepulcro) custa R$ 1.620,00.

Já a sepultura provisória é destinada a quem não pode ou não quer pagar por uma perpétua. Após três anos do enterro, os restos mortais do cadáver são retirados da cova e depositados num ossuário comum.

Quem puder alugar um ossuário por um período de 5 anos vai pagar R$ 93,15 – podendo ser renovada a locação depois desse período.

Hoje, a urna mais em conta oferecida pelo Serviço Funerário Municipal custa R$ 204,98. Já um caixão melhor pode custar cerca de R$ 1.600,00. Para o enterro é necessário pagar a tarifa de R$ 167,21 do velório e sepultamento, e as flores são de responsabilidade da família.

Não fica nada barato morrer e, hoje em dia, muita gente paga uma espécie de seguro funerário, remunerando com uma quantia mensal a empresa especializada. Na hora da morte, a família não precisa se preocupar, pois os serviços e taxas com enterro já estarão pagas para o descanso eterno.